Os professores andam revoltados com a ministra da Educação e muitos parecem dar-lhes razão. Ninguém sabe muito bem contra o que é que eles protestam, na realidade nem sequer eles o sabem, mas qualquer desculpa serve para mandar vir com o governo.
Pelos jornais vai-se dizendo que a economia portuguesa cresceu 1,9 por cento. É um número que não diz grande coisa ao cidadão comum, afundado nas suas dívidas e nas dúvidas quanto a um futuro melhor. E com os bolsos vazios, a educação é a menor das preocupações, mesmo daqueles que são pais e que, ao invés de pensarem numa boa formação para os seus filhos, dão voltas à cabeça para inventarem dinheiro para os gastos com creches e escolas que deveriam ser gratuitas. Também entre os que fazem parte do sistema, aquilo que menos interessa é a melhoria das condições de ensino. Importam apenas as regalias laborais e a perda de impunidade dentro de um regime educacional que, consensualmente, é avaliado como mau. Dá-se nota negativa ao sistema, chumbam-se alunos, mas, ó sacrilégio, não se podem avaliar os senhores professores!
Na recente manifestação que houve em Lisboa, um professor, quando abordado por um jornalista da SIC sobre as razões que o levavam a juntar-se ao protesto, teve que esperar uns largos segundos antes de responder. No imediatismo televisivo foi ao cabo de uma eternidade que o docente revelou que marchava pela rua "basicamente contra a avaliação". E é basicamente isso que move a classe, o medo de serem avaliados. E só teme a avaliação quem não está bem preparado para a sua tarefa.
Em 17 anos de escola pública tive a oportunidade de conhecer todo o tipo de professores, desde o "stôr porreiraço" que faltava muito, até ao "bon vivant" que fumava na sala de aulas, passando pelo catedrático que debitava a matéria e exigia que a decorássemos. Tive alguns bons professores que me marcaram para sempre, mas devo dizer que foram muito poucos. Grande parte dos profissionais do ensino estão mal preparados para a função, não apenas por falta de conhecimentos, mas em muitos casos por falta de vocação. Não ensina quem quer, ensina quem pode.
E se é certo que temos um sistema de ensino que prepara mal os estudantes para a vida profissional, como poderemos esperar que os professores, moldados dentro desse mesmo sistema, sejam bons na sua profissão? Para terminar de vez com este ciclo vicioso, é urgente impôr alterações e começar pela avaliação daqueles que são o principal sujeito da educação é, para todos evidente, fundamental.
Avaliarem o nosso desempenho e atribuírem-nos uma nota é o primeiro passo para a melhoria pessoal e logo do meio onde nos inserimos. É claro que exige mais de nós, enquanto a mediocridade não assinalada é demasiado fácil...
[Publicado no jornal Notícias dos Arcos de 20 de Março de 2008]