terça-feira, 30 de setembro de 2008

Mulheres do Século XXI

Nós, mulheres do Século XXI, não temos tempo para pensar! O intelecto não é o nosso domínio quando temos que ser mães perfeitas, esposas presentes e profissionais empenhadas. Os dias só nos permitem tarefas, responsabilidades, exigências. O mundo gira todo à nossa volta e temos pouco tempo para o olhar de fora, com a distância crítico-analítica que dá lugar às crónicas.

O fazer é o verbo do nosso domínio. Fazer as coisas corriqueiras que permitem a existência. Cozinhar, limpar, lavar, amamentar, parir... Aos homens reserva-se esse papel "maior" de pensar o mundo! De o definir e moldar à luz das suas vontades.

Nós, mulheres do Século XXI, somos ainda o "sexo fraco", sempre em segundo plano. As "grandes mulheres" atrás dos homens poderosos. A igualdade está longe de ser real. Em média os salários das mulheres são inferiores aos dos homens. Nos cargos de chefia domina o masculino e para lá chegarem as mulheres têm que provar diariamente, muito mais do que eles, que são merecedoras desse "poder". Na política temos um Parlamento de fatos e gravatas, um governo com as duas ministras da praxe, uma presidente de partido com um ar o menos possível feminino.

E espantamo-nos quando uma mulher grávida passa revista às tropas enquanto ministra da Defesa, como foi o recente caso da espanhola Carme Chacón que deixou o marido em casa com o filho de ambos para voltar ao seu posto no governo. Um caso noticiável porque é raro os homens abdicarem dos seus "privilégios" de chefes de família.

São tempos modernos, de tecnologias e progressos fenomenais, mas ainda os homens são os "caçadores" e as mulheres as "fadas-do-lar". Já há uns que dão uma "ajudinha" lá em casa, que cuidam dos filhos, mudam as fraldas, até cozinham e lavam a louça, mas a esfera da vida doméstica continua a ser da mulher. Ela é o centro dessa ordem interna. Muitas vezes esquecida como elemento exclusivo desse meio, quase sempre subestimada por esse papel fundamental e nunca respeitada pelo desdobramento milagroso.

Dentro de poucos anos espera-se que os cientistas desenvolvam um robô doméstico capaz de executar quase todas as tarefas do lar com mestria. Talvez então nós, mulheres do Século XXI, possamos "saltar" definitivamente do "ninho" familiar para o mundo e mudar verdadeiramente as coisas. 

[Publicado no jornal Notícias dos Arcos de 25 Setembro 2008]