Pela primeira vez na história da nação temos um banqueiro detido. Oliveira e Costa está em prisão preventiva depois do escândalo do BPN, sendo suspeito do desvio de mais de 66 milhões de euros. Será porventura o "cabeça-de-manada" que é preciso flagelar para abafar o caso. Mas alguém acredita que será feita verdadeiramente justiça?
Em Fevereiro deste ano Oliveira e Costa divorciou-se convenientemente e passou todos os seus bens para o nome da esposa. Tanta "generosidade"! O ex-presidente do BPN abdica de todo o seu património em benefício daquela que foi a sua companheira durante mais de 40 anos. É pois um Oliveira e Costa subitamente "pobre" que está entre as grandes, embora numa cela VIP!
Há dias Fátima Felgueiras deixou o Tribunal em estado triunfal depois de ter sido condenada a 3 anos de prisão com pena suspensa (ou seja, não porá os "costados" na cadeia, embora tenha fugido para o Brasil!) e a uma multa de 2 mil euros. Percebe-se a euforia da senhora perante a "bondade" da justiça, já não se compreende a falta de vergonha! Ela foi condenada por ter usado o cargo de presidente da Câmara de Felgueiras em benefício próprio, mas nem assim deverá perder o mandato. No fim do julgamento o advogado da senhora falou aos jornalistas com lágrimas nos olhos, emocionado com a inacreditável benevolência do senhor juiz!
Daqui a uns meses, quando a tempestade amainar, Oliveira e Costa deverá regressar para o regaço da esposa endinheirada com o sorriso dos "inocentes"...
Oliveira e Costa foi secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva e Dias Loureiro, actual conselheiro de Estado do Presidente da República e ex-ministro do governo PSD, foi administrador da Sociedade que geria o BPN. Outros antigos ministros estiveram na gestão do Banco que foi nacionalizado com um "buraco" de 700 milhões de euros. Deste montante mais de 300 milhões dizem respeito a operações "clandestinas". É claro que agora ninguém sabe de nada!
Se fizéssemos uma "árvore" de todas as ligações entre políticos e ex-políticos com as empresas de maior peso na economia nacional, que tramas não poderíamos tecer...
Na política "em nome do povo" enriquece-se, seja durante, seja depois de terminar mandatos, depois de servir "interesses" que valem a entrada nas administrações das grandes empresas ou dos Bancos. Se nos devotássemos a contar o património de muitos daqueles que passaram pelas cadeiras do poder, antes e depois de aquecerem os lugares, poderíamos traçar o "mapa do tesouro"...
[Publicado no jornal Notícias dos Arcos de 27 Novembro 2008]
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