Há dias os "patrões" revoltaram-se contra o governo por ter decidido aumentar o ordenado mínimo para 450 euros em 2009. Mais 25 euros na conta dos pobres empregados. Uma fortuna concerteza!
Os representantes do patronato logo vieram ameaçar com despedimentos, queixando-se de tamanho escândalo! Senhores engravatados, sem calo nas mãos, sem terem que esticar os trocos ganhos no suor do trabalho, acham certamente que 425 euros é um salário digno. Interesseiros na sua condição de empresários, pensam no lucro acima de toda a humanidade. Quando analisam os gráficos estatísticos sobre a produtividade ainda se espantam com os baixos índices de rendimento dos seus trabalhadores. Têm mais do que merecem, na verdade, por uns parcos 400 euros e tal.
É inacreditável a imoralidade entranhada entre altos responsáveis do país. Não há ética e pior, não há vergonha! Como pode alguém ir à Televisão insurgir-se contra um aumento que mantém o salário mínimo nacional em níveis de miséria?! Se compararmos com os nossos "irmãos" da União Europeia, temos em Espanha e Grécia um ordenado mínimo da ordem dos 600 e tal euros, ou de mais de mil euros nos casos de França, Holanda e Luxemburgo. Nós estamos no patamar "terceiro mundista".
Alegam os "patrões" que as pequenas e médias empresas poderão ficar em dificuldades com o aumento de 25 euros. As que realmente estão em condições tão fragilizadas não se salvarão de qualquer modo, haja ou não aumento do salário mínimo. Os tempos que aí vêm serão de crise aguda, dizem os mesmos especialistas que não conseguiram prever esta fase complicada. Durante 2009 se fará a triagem entre quem tem estaleca para aguentar a tempestade e quem não resistirá ao embate.
Como sempre, o Zé Povinho há-de levar com todos os males, mas prevê-se que a intempérie chegue também aos mais endinheirados. É porventura isso que já vai preocupando os "patrões"...
Entretanto, o governo decidiu "salvar" o Banco Português de Negócios (BPN) que estava em risco de falência por causa de operações ilegais que levaram a perdas superiores a 700 milhões de euros. Um valente "buraco" só agora "descoberto" por causa da crise. Valha-nos a crise para apurar os podres da nação...
[Publicado no jornal Notícias dos Arcos de 13 Novembro 2008]
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