sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tachos em nome do povo!


Em tempos de crise económica, importa perguntar se precisaremos de tantos deputados! Com a "disciplina partidária" tomada como método generalizado, para que servem os 230 "representantes do povo" na Assembleia da República?

Há dias foi notícia o facto de Manuel Alegre ter quebrado a "disciplina de voto" imposta pelo PS na votação do projecto do casamento dos homossexuais. Uma ovelha tresmalhada no rebanho! Noutros Partidos também é comum "disciplinar" os deputados em defesa de uma ou outra posição global de acordo com as "cores" políticas. Ora, se cada um dos 230 deputados eleitos à Assembleia da República vota segundo os "ditados" do seu Partido, porque haveremos de sustentar os ordenados de tantos?! Bastaria um representante por Partido com assento Parlamentar, um porta-voz de cada um que teria um peso diferente conforme o número de votos contados nas eleições.

Os "representantes do povo" (leia-se ironicamente!) representam verdadeiramente os seus Partidos, depois dos seus próprios interesses. Talvez se possa falar de uma inversão no caso do PCP, onde, por exemplo, Jerónimo de Sousa entrega 3 mil euros dos cerca de 3800 que ganha ao Partido Comunista. Nos restantes Partidos os salários vão inteiramente para os bolsos dos deputados, apesar da "disciplina partidária"...

Um deputado tem como salário-base 3708 euros, podendo além disso receber outros subsídios, nomeadamente de transporte se tiver residência fora de Lisboa. Deste modo o ordenado pode estender-se até aos 6 mil euros! É um bom emprego concerteza.

Lembro-me de um dos "quadros" do programa de humor da RTP1, "Os Contemporâneos", em que se caricatura uma deputada que se queixa do trabalho que dá ora levantar, ora sentar, ora bater palmas aos seus, ora apupar os "adversários"... Na verdade a maioria dos deputados só serve para isso mesmo! Há ainda umas Comissões onde alguns participam estudando, analisando, observando, meditando sobre tudo e nada.

Os que falam no Parlamento são sempre os mesmos, os mais mediáticos, os que têm o "dom da palavra"! Quase sempre as discussões da Assembleia giram entre um "pentágono" de figuras dos cinco Partidos representados, em trocas de graçolas que se assemelham a disputas de garnisés na capoeira. Fazem birras como putos no recreio que ofendem o voto do povo. Talvez por isso cada vez menos portugueses votem. São "tachos" que se tentam legitimar nas urnas.

[Publicado no jornal Notícias dos Arcos de 23 Outubro 2008]

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