quarta-feira, 29 de junho de 2011

Do Angélico sonho ao tédio

Lá se foi Angélico Vieira para o reino dos céus! É uma morte que me entristece na medida em que a morte é sempre desoladora, seja a de quem for. Recorda-nos a nossa própria mortalidade.

O cantor/actor não fazia parte da minha lista de admirações ou de gostos e não lhe sentirei a falta. Para os que gostavam dele o seu desaparecimento prematuro pode ser mais trágico do que a morte de um familiar próximo. É a morte de um sonho! A perda de um pouco da esperança e da magia que devem ter os dias.

Dos meus idos 14 anos tenho a imagem de cinco miúdas a chorarem desalmadamente a pretensa morte dos New Kids On The Block num acidente de aviação que nunca se deu (para desânimo de muitos!). É uma memória que lembro com graça e com o rubor do ridículo, mas a dor era então autêntica. Aqueles rapazes que nunca teríamos hipóteses de conhecer (e já o sabíamos naquela altura) representavam a ilusão de um mundo perfeito. A fantasia consumada do príncipe encantado. Perdê-los seria encontrar no lugar do sonho o terrível vazio da realidade cinzenta e ordinária e dos putos borbulhentos e desinteressantes. O tédio da vida dos comuns mortais.

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