Regresso a estas páginas após longa ausência motivada por afazeres profissionais no amanhecer de um novo Portugal! Ou então, é mais um acordar para o mesmo fado...
Passos Coelho ganhou as eleições, como se esperava, não conseguindo a desejada maioria absoluta. Uma meia vitória conquistada à custa dos ódios alimentados por José Sócrates: foi mais para escorraçarem o engenheiro do poleiro do que por confiança no ex-jotinha do PSD que muitos votaram no novo chefe do governo.
Mas no bulício destas eleições os grandes vencedores são Paulo Portas e o seu CDS/PP. O Paulinho das feiras catapulta-se, mais uma vez, para o governo depois de uma campanha em que usou a mestria habitual no trato com as pessoas comuns e o domínio costumeiro das artes de encantar os média.
Para lá dos votos contados, regista-se de novo a abstenção como factor que sobressai dos actos eleitorais dos últimos tempos. Entre os mais de 9 milhões de inscritos votaram somente cerca de 5 milhões. Uma abstenção próxima dos 60 por cento, como de resto se registou em 2009 nas anteriores legislativas.
E se é certo que alguns escolheram mesmo não aparecer para deixarem a sua cruz no boletim de voto, entre tantos abstencionistas muitos não moram já neste país. Nas contas eleitorais não entram os portugueses emigrados e que, mesmo tendo saído da pátria, nunca desapareceram dos cadernos de recenseamento. Conheço alguns que estão nestas condições e temo que nos próximos tempos mais lhes sigam as pisadas. Restar-nos-á outra saída para a crise?
Os próximos tempos serão duros, já sabemos, mesmo sem o mafarrico Sócrates! Aquilo que talvez tenha escapado a alguns daqueles que votaram no PSD em detrimento do PS é que o futuro está traçado pelo FMI e pela União Europeia no acordo que os dois partidos, e o PP, assinaram. Há medidas incontornáveis e se o governo não as cumprir só se vai agravar ainda mais o cenário.
Os milhões emprestados são uma esmola envenenada e todos teremos que a pagar, mesmo que não tenhamos culpa nenhuma do buraco em que o país está enterrado. Como sempre, doerá mais às vítimas do costume - os que menos fizeram para o miserável estado presente - do que aos endinheirados. E uns ficarão cá para lutar contra as adversidades e contra a desesperança que mina a ideia de que vêm aí dias melhores. Outros não terão outra tábua de salvação que não a emigração, repetindo-se a velha história dos nossos pais obrigados a fugirem à fome.
[Artigo publicado no jornal Notícias dos Arcos de 09 de Junho de 2011]
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