Paula Teixeira da Cruz e Assunção Cristas são as duas mulheres da praxe no governo de Passos Coelho. O novo primeiro-ministro inova com o executivo mais jovem de sempre, mas repete o velho hábito de não se apostar nas qualidades femininas.
As duas escolhidas são ambas formadas em Direito e esperam-nas assuntos desde há muito tortos.
Paula Teixeira da Cruz assume o ministério da Justiça com o pesado fardo de credibilizar o poder judicial, além de dirigir as necessárias reformas no sentido de uma Justiça menos morosa e mais eficaz na aplicação da Lei. Isto num país onde candidatos a futuros juízes apanhados no “copianço” são primeiramente premiados com um 10 de nota e, posteriormente, depois do caso divulgado nas televisões, beneficiados com a repetição dos exames. Quando é a própria magistratura que confirma que o crime compensa, está tudo dito!
Assunção Cristas é a super-ministra da Agricultura, do Ambiente, do Mar e do Ordenamento do Território. A ex-professora universitária de apenas 36 anos terá que provar o que vale em áreas praticamente esquecidas nos últimos anos. As medidas tomadas no âmbito de vertentes tão importantes da vida sócio-económica do país vêm sendo meros rendilhados sem uma estratégia sólida e concreta. Logo se saberá se ela terá visão para alinhavar esse fundamental novelo de acção.
Mas numa altura de profunda crise, e com a necessária contenção financeira, não se poderá esperar que venha das mãos de Assunção a salvação para o tecido agrícola produtivo do país ou para o renascimento do interior. Isto depois de sucessivos executivos que ignoraram por completo o definhamento da agricultura e a deserção dos jovens das aldeias serranas e que nada fizeram para defender uma das actividades por excelência de um país à beira-mar plantado. Na verdade, pescadores e agricultores são espécies em vias de extinção! E não se augura uma poção mágica para que de repente as gentes corram em força de volta aos campos e aos barcos.
Dos ministérios do Ambiente poderemos eventualmente esperar mais ventoínhas eólicas espanholas nos montes, de resto a escassez de dinheiro passará, como sempre, as questões da protecção do planeta para segundo plano. E quanto ao Ordenamento do Território, parece missão impossível ordenar o que há tantos anos vem sendo desordenado!
Não é a qualidade e a aptidão das senhoras ministras que está em causa. O problema é a pesada herança de negligência que carregam dos seus antecessores. Ingrato presente o de Passos Coelho!
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